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23 de maio: Se ligue nos links (23 de maio)

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1) O uso de cloroquina no tratamento de pacientes de Covid-19 está associado a maior risco de arritmia cardíaca e de morte, concluiu o maior estudo sobre a droga, publicado na revista médica britânica The Lancet e noticiado no Washigton Post. O uso precoce da droga é recomendado por um estudo preliminar espanhol, disponível no repositório PrePrints, que ainda não passou por revisão, mas serviu de base para as novas recomendações sobre a droga do Ministério da Saúde. Elas ignoraram estudos anteriores publicados nas revistas médicas mais relevantes: a revista da Associação Médica Americana (Jama), British Medical Journal (BMJ) e New England Journal of Medicine (NEJM). Artigo na Jama Internal Medicine defende maior transparência na autorizações de emergência para o uso de drogas não comprovadas. A Economist relata os progressos no uso de drogas já conhecidas contra a Covid-19 e omite a cloroquina. Uma delas, o remdesivir, obteve resultados promissores em estudo preliminar publicado também na NEJM. Noutra reportagem, a Economist esclarece as principais dúvidas sobre a origem do novo coronavírus Sars-CoV2
2) A Lancet também publica os resultados bem-sucedidos na primeira fase de testes da vacina desenvolvida por pesquisadores ligados à empresa chinesa CanSino contra o Sars-CoV2. Estudo na Science revela o êxito nos testes de outra vacina em macacos. A Stat noticiou o progresso da vacina da americana Moderna na primeira fase de testes, depois revelou que os dados recolhidos podem não sido suficientes. Reportagem na New Yorker relata a corrida na Moderna para obter a aprovação mais rápida na história. Artigo na NEJM descreve as diferenças nas pesquisas com vacinas em “velocidade pandêmica”. A Scientific American mostra como a engenharia genética permite hoje fazer em meses o que antes levava anos. Também na Science, Douglas Green explica as razões da lentidão para aprovar novas vacinas.

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3) Vídeo do 3Blue1Brown mostra como rastrear os contatos dos infectados preservando a privacidade. No Instituto Santa Fé, Van Savage explica por que será impossível a capacidade de testes acompanhar a disseminação do vírus. Na Atlantic, Alexis Madrigal e Robinson Meyer apontam os erros que a mistura de diferentes tipos de testes trouxeram à estratégia de combate à Covid-19 nos Estados Unidos. No NEJM, Eric Schneider explica como a carência de dados sobre testes prejudica a estratégia americana de combate à doença. A CNN investiga as origens do obscuro site WorldOMeters, cujos números pouco confiáveis, em especial sobre testes, adquiriram projeção inesperada na pandemia.


David Neeleman, fundador da JetBlue e da Azul — Foto: Reuters
4) No New York Times, Aleszu Bajak e Jeff Howe criticam o uso político das pesquisas feitas com testes de anticorpos para verificar a extensão da infecção pelo vírus, conhecida tecnicamente como “prevalência”. No BuzzFeed, Stephanie Lee denuncia o envolvimento do fundador Jet Blue e da Azul, David Neeleman, na pesquisa do tipo mais célebre – e mais criticada. No Notes on Covid, Ricardo Parolin Schenkenberg explica de modo didático que o principal problema na leitura desses números está na alta chance de falsos positivos nos resultados obtidos no início das pandemias. A Jama traz um estudo sorológico feito para o condado de Los Angeles, na Califórnia. Um levantamento preliminar ainda sem revisão, divulgado no repositório MedRxiv traz uma revisão incompleta das várias pesquisas de prevalência já feitas. Outra pesquisa preliminar, também divulgada no MedRxiv, tenta estimar a letalidade da Covid-19, indicador que tem relação estreita com a prevalência.


Estudo britânico considerou dados de quase 17 mil pacientes internados no Reino Unido, mostrando que pelo menos um terço deles não resiste à doença — Foto: Getty Images/BBC
5) No VoxEU, economistas explicam por que o Reino Unido é o país da Europa em que o novo coronavírus custou proporcionalmente mais vidas, com base na diferença entre as mortes registradas durante a pandemia e a média histórica, indicador conhecido como “excesso de mortalidade por todas as causas”. Cientistas italianos avaliam, no Environmental Research and Public Health, que tal excesso passou de 45 mil na Itália. Relato na Lancet o estima em mais de 20 mil apenas nos asilos para idosos ingleses e escoceses. O British Journal of Surgery (BJS) projeta em mais de 28 milhões o total de cirurgias eletivas que deixarão de ser realizadas em virtude da pandemia. No Brasil, o Observatório Covid19 fornece análises sobre o esgotamento dos leitos de UTI e tenta estimar o total de mortes reais pela pandemia, levando em conta a subnotificação nos dados oficiais.


Pessoas tentam manter o distanciamento social enquanto aproveitam o sábado de sol no Domino Park, no Brooklyn, em Nova York (EUA), em 16 de maio de 2020 — Foto: Eduardo Munoz / Reuters
6) Estudo na Science comprova a eficácia das intervenções realizadas na Alemanha para conter o avanço do Sars-CoV2. No New York Times, James Glanz e Campbell Robertson noticiam que o atraso para pôr em prática lockdowns em cidades americanas custou pelo menos 36 mil vidas, segundo um modelo matemático divulgado em estudo preliminar da Universidade Columbia no repositório MedRxiv. O Imperial College londrino também publicou os resultados de seu modelo para estados americanos, ilustrados em mapas e gráficos. A dificuldade de modelar a segunda onda de infecções é o tema de um estudo do Centro para Inferência e Dinâmica de Doenças Infecciosas (CIDID).


Funcionária desinfeta esteira em academia reaberta de Pequim, em imagem de 8 de maio — Foto: Thomas Peter/Reuters
7) As medidas de restrição à mobilidade adotadas na China para conter o vírus são avaliadas positivamente em estudos no National Bureau of Economic Research (NBER) e na Jama. Artigo também na Jama analisa as implicações do exemplo chinês para outros países. O êxito da reabertura das atividades na China é constatado em estudo britânico publicado no repositório Wellcome Open Research. Na New Yorker, Atul Gawande revela o que o trabalho dos profissionais de saúde durante a pandemia tem a ensinar para o momento da retomada das atividades. No Times, Nicholas Kristof diz que será preciso humildade para encarar a falta de conhecimento sobre como teremos de agir.


Manifestação para reabertura de academias em Uberlândia — Foto: Reprodução/ TV Integração
8) Em reportagem na Science, Kai Kupferschmidt conta que poucos infectados pelo vírus são responsáveis pela maioria das infecções. Pesquisa de 2005 na Nature constatou de modo pioneiro a importância desses superdispersores. Em estudo preliminar no MedRxiv, cientistas israeleneses usam dados genéticos para constatar a relevância deles na propagação do novo coronavírus. Noutro estudo preliminar, no Wellcome Open Research, cientistas britânicos elaboram um critério matemático para medi-la. Também no Wellcome, uma pesquisa analisa 152 eventos em que eles tiveram papel crucial. Um levantamento de casos do tipo é mantido numa planilha pelo jornalista Jonathan Kay.


Congresso discute projeto que torna obrigatório o uso de máscara em todo o Brasil — Foto: Eraldo Peres/AP
9) No Authorea, Trisha Greenhalgh contesta as falácias mais comuns nas críticas aos uso das máscaras faciais. Uma revisão de estudos sobre o tema está disponível em estudo preliminar no PrePrints. No Fast.AI, Trisha e um dos coautores do estudo resumem as principais evidências em favor do uso das máscaras, também apresentadas na Atlantic.
10) No ScienceNews, Tina Hesman Saey discute as dúvidas sobre a transmissão do vírus em gotículas de saliva e partículas suspensas conhecidas como “aerossóis”, tema de estudo no NEJM e de uma pesquisa preliminar disponível no MedRxiv. Estudo publicado ano passado na Nature mostrava que a emissão de partículas aumenta com a altura da voz, uma possível explicação para o contágio disseminado num coral do estado americano de Washington, noticiado no Morbidity and Mortality Weekly Report (MMWR). O risco de transmissão em ambientes fechados é avaliado em estudo preliminar no MedRxiv.
11) Na Stat, Sharon Begley descreve o modo peculiar como o Sars-CoV2 ataca as células. O papel da resposta celular desequilibrada no desenvolvimento da Covid-19 é tema de estudo na Cell. Outro estudo na Cell analisa a reação das células do sistema imunológico. No NEJM, cientistas alemães descrevem os mecanismos de deterioração pulmonar nos pacientes de Covid-19. Na Jama, outra equipe alemã revela as descobertas nas autópsias das vítimas.
12) No Episteme, Gavin Walker investiga o discreto charme psíquico do novo coronavírus. Na Jama, Ryan Antiel analisa o que o mito de Édipo tem a ensinar neste momento de crise.
13) No Guardian, Naomi Klein afirma que as grandes empresas do Vale do Silício continuarão a lucrar com a pandemia.
14) Na Rolling Stone, Seth Hettena narra como o ex-prefeito nova-iorquino Rudi Giuliani, herói nacional no 11 de Setembro, se transformou no patético advogado de Donald Trump.
15) Ben Smith, no New York Times, e Anne Diebel, na New York Review of Books, questionam os métodos jornalísticos de Ronan Farrow, repórter responsável por algumas das principais denúncias de assédio sexual que resultaram no movimento #MeToo.
16) Em entrevista à New Yorker, o comediante Ben Stiller celebra a memória de seu pai, Jerry Stiller.
17) Na Quanta, Patrick Honner analisa um joguinho simples de matemática que mostra como pode ser uma vantagem manter distância dos padrões ao raciocinar.
Fonte: G1

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