Denúncias de estupro e assédio sexual dentro da UFC são encaminhadas à PF


27/10/2019

Image


A Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) informou que os casos de assédio sexual e estupro que estariam acontecendo dentro de um campus da Universidade Federal do Ceará (UFC) foram encaminhados para a Polícia Federal (PF). De acordo com a pasta, a PF é a responsável por investigar as ocorrências, pois ocorreram em território de um órgão federal.


A Secretaria também afirmou que a Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) tem registrado um Boletim de Ocorrência referente a uma denúncia de estupro e outro relacionado a crime contra a dignidade sexual, ambos ocorridos dentro do campus do Pici, na UFC. Nesta quinta-feira (24), a Universidade informou que abriu uma sindicância para apurar e adotar todas as providências cabíveis em relação às denúncias que recebeu.


“Ao mesmo tempo em que repudia, veementemente, todo e qualquer ato de violência, a Administração Superior da UFC informa que o procedimento de sindicância é realizado sob sigilo, a fim de preservar os nomes das vítimas e de não prejudicar as investigações”.


Uma nota de repúdio publicada pelo Centro Acadêmico do curso de Zootecnia tornou público as denúncias. Segundo a publicação, os casos seriam praticados por um grupo de alunos dentro do campus do Pici, nos últimos meses. A nota, assinada por outros cursos, informa que já foram registrados Boletins de Ocorrência na grande parte dos casos e que as vítimas também estariam sendo ameaçadas por redes sociais.


Imagens de conversas no Whatsapp também alertam que estudantes evitem transitar durante a noite pelo campus. “Se sua aula acaba 17h30, tenta sair 10 minutos antes, mas não andem à noite no Pici até o caso ser resolvido. Se for resolvido. São 8 meninos, andam em grupo e fazem o ato em grupo. Seguram as meninas, usam luva e tudo para não ficar a digital. Parece coisa de filme, mas infelizmente não é”, diz uma das mensagens.


“Maria, vá com as outras”


Diante das denúncias, estudantes da UFC criaram a campanha “Maria, vá com as outras”. A campanha foi criada para dar apoio às vítimas que denunciaram ter sofrido assédio sexual na instituição e incentivar outras que temem denunciar, a realizar Boletim de Ocorrência. A iniciativa é direcionada para toda a comunidade acadêmica.


A campanha iniciou nas redes sociais e já tem mais de 2 mil seguidores. Nesta sexta-feira (25), o Centro Acadêmico do curso de Agronomia realizou uma reunião para planejamento de outras ações que também serão realizadas. Segundo um membro do Centro Acadêmico, foram cinco denúncias de assédio sexual até o momento, mas é possível que haja mais.


Tribuna do Ceará