Mortes por afogamento crescem com cheias em rios e açudes do CE


12/04/2019

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No sertão cearense, rios cheios e açudes sangrando atraem milhares de pessoas. Muitos, porém, não se contentam apenas em apreciar a nova paisagem formada pelas intensas chuvas. O banho, nestes casos, é perigoso e pode se tornar fatal.

O aumento do volume das águas é proporcional ao acréscimo do número de vítimas por afogamento. Nos primeiros 100 dias deste ano, foram registradas, pelo menos, 12 mortes no Estado. Deste total, quatro ocorreram em açudes públicos e particulares em municípios da região Centro-Sul. A mesma quantidade de óbitos que fora registrada durante todo o ano passado na região.

As duas últimas mortes, no Centro-Sul, aconteceram no início desta semana. O Corpo de Bombeiros de Iguatu encontrou dois homens que morreram afogados nas águas do Jaguaribe. Eles tinham 42 anos e foram achados a quase 1 Km de distância de onde tinham sido arrastados pela correnteza.

No último fim de semana, três pessoas morreram afogadas. Na cidade de Miraíma, o corpo de um homem de 40 anos foi encontrado boiando no açude do Município. Em Aracati, um homem de 26 anos se afogou próximo à Praia de Parajuru. E, em Palhano, um jovem de 18 anos morreu ao pular de uma ponte e bater a cabeça em pedras, num rio que corta a cidade.

Já no início do mês, dois homens morreram depois de o carro onde estavam ser arrastado durante a travessia de uma passagem molhada sobre o riacho Altamira, na divisa do Ceará com o Piauí.

Outras três pessoas também perderam a vida quando tentavam atravessar, de carro, uma passagem molhada. Dentro do veículo, estavam cinco pessoas, que foram arrastadas pelas fortes correntezas do Rio Juré, na localidade de Mufumbal, em Reriutaba. Uma criança de dois anos, a avó dela, de 46 anos, e uma terceira vítima, que tentou resgatá-las, morreram afogadas.

Alerta

O comandante do 4º Grupamento de Bombeiros da 1ª Seção de Combates a Incêndios de Iguatu, tenente-coronel Nijair Araújo, chamou a atenção dos pais de crianças e adolescentes e dos adultos para evitar pulos do alto das pontes e de paredes de reservatórios, além de travessias longas. "Não sabemos o que temos embaixo da água, pode haver galhos ou outros objetos", pontuou. "Geralmente, os que morrem afogado sabiam nadar, mas não estavam com bom condicionamento físico e não conseguiram concluir a travessia".

Nijair Araújo disse que os policiais militares e os bombeiros não têm como fiscalizar 24 horas todos os dias os locais que atraem banhistas. "É preciso cautela para evitar acidentes", disse. "Eu tenho que saber e perceber se o meu corpo está preparado fisicamente", acrescenta. O comandante dos Bombeiros também orientou que as pessoas despreparadas não tentem socorrer diretamente a pessoa, corpo a corpo, que está se afogando. "Em vez de um óbito, podemos ter dois".

Em fevereiro passado e na semana anterior, a cheia do Rio Salgado, em Icó, atraiu dezenas de banhistas à ponte Piquet Carneiro. Jovens enfrentaram o perigo saltando do arco superior, em uma altura média de 12 metros. A água nova que enche o rio pode arrastar troncos e galhos de árvores, aumentando o risco de morte.



As chuvas atraem banhistas para momentos de lazer nos fins de semana. Há mistura de bebidas alcoólicas, comidas e relaxamento com os cuidados com as crianças e adolescentes. "Infelizmente, todos os anos registramos mortes por afogamentos e graves acidentes", observou Nijair Araújo. "Em açudes públicos e privados abertos ao público a lei exige a presença de guardas-vidas, mas nos reservatórios particulares cabe aos proprietários o bom senso, a responsabilidade".

Orientações

Os bombeiros orientam que as crianças devem ser mantidas sob vigilância permanente dos pais ou responsáveis. Alertam também que os estabelecimentos que oferecem serviços de lazer devem ter cuidado com a fiação elétrica e com os banhistas. "O consumo de bebida alcoólica deixa a pessoa mais afoita e, muitas vezes sem preparo físico adequado e sem técnica de natação", pontua Nijair. O quartel dos Bombeiros de Iguatu atende a 22 municípios do Centro-Sul e por turno dispõe de oito homens. É equipado de viaturas de combate a incêndios, ambulância para primeiros socorros, bote, barco e equipamento de mergulho para resgate e ações de salvamento.

Diario do Nordeste