Homem estrupa estudante e diz: “Você salvou uma mulher”

Homem estrupa estudante e diz: “Você salvou uma mulher”

Jovem que foi resgatado pela PM fez um relato no Facebook sobre sua tragédia pessoal.


Um estupro é um crime hediondo, independentemente do gênero do daquele que pratica a violência ou do indivíduo que a sofre. Quando as vítimas de estupro são homens adultos, no entanto, o caso tende a chamar mais a atenção. Um caso que aconteceu em Uberaba, Minas Gerais, neste domingo (20), envolvendo um rapaz como vítima chama ainda mais atenção pelas palavras que o agredido ouviu do criminoso.

Basicamente o jovem ouviu que se ele fosse uma mulher, além de ser estuprado, seria também assassinado. “Você salvou uma mulher”, disse.

O estudante, identificado como Mateus Henrique da Silva, de 23 anos, foi encontrado por volta das 12h do último domingo (20) por agentes da Polícia Militar, após uma denúncia anônima sobre a existência de uma pessoa ferida, com mãos e pés amarrados, às margens de uma estrada. Se ele fosse uma mulher, a pessoa que o encontrou teria visto um corpo sem vida.

Mateus escreveu um texto em tom de desabafo, repleto de emoção, para contar o que passou e ponderar sobre seu drama absurdo e sobre os absurdos decorrentes de uma sociedade machista.

“Na manhã deste último domingo [20], durante minha caminhada matinal, eu, Mateus, homem cis, 23 anos, fui vítima de um estupro”, escreveu para introduzir o relato publicado em seu perfil no Facebook.

O estudante de biologia seguiu contando o que sentiu: “A intenção dele era pegar gente dessa idade, entre 19 e 25 anos, independente de ser homem ou mulher. Ele me disse que essa juventude está corrompida e que, provavelmente, se fosse mulher, a mataria depois”, relatou Mateus sobre o que ouviu do agressor, que ainda o “parabenizou” por ter “salvado” uma mulher.

Em um outro trecho do texto o rapaz consegue se colocar no lugar das mulheres, vítimas diárias do machismo. “Eu só pensava em todas as mulheres que estão desaparecidas. Eu só conseguia imaginar que, nesse momento tão horrível, seria muito pior se fosse com uma mulher e, mesmo revoltado, pude ver o quanto o mundo é machista até nas piores ocasiões”, disse.

Mateus foi encontrado sem calça e sem camisa, cheio de arranhões pelo corpo e pedaços de galhos secos no lóbulo da orelha esquerda. “Deparamos com o senhor Mateus sentado na beira da estrada bastante abalado psicologicamente”, descreveu o agente policial que o encontrou no boletim de ocorrência.

O rapaz foi levado para atendimento médico, onde foi constatado a violência sexual. Lá foram retiradas pedras de dentro de seu corpo, que o agressor havia utilizado como um dos meios de tortura.

O jovem foi rendido e amarrado enquanto fazia uma caminhada matinal. De repente, um homem estacionou de caminhonete ao seu lado e apontou uma arma para sua cabeça. O motorista o obrigou a entrar no veículo e levou o rapaz até um matagal, onde teve as mãos e os pés amarrados. Paus, arame e pedras teriam sido usados durante o crime.

Depois de ser largado na margem da rodovia, Mateus disse ter sofrido outra violência. Sentiu na pele a indiferença e falta de compaixão das pelo menos 20 pessoas que passaram por ele e se negaram a prestar socorro antes que um mototaxista o fizesse. O mototaxista ligou para a polícia que também agiu com frieza. “Quando achei que ia acabar o pesadelo, ele continuou. Andei 15 minutos amarrado e amordaçado e as pessoas não me ajudavam. Eu pensei que iam me bater e um chegou a rir de mim. Eu entendo que as pessoas pensaram que eu fosse assaltante ou drogado, mas foi horrível a omissão de socorro”, contou.

Mateus está tomando calmantes para conseguir se recuperar dos ferimentos da alma. Os ferimentos físicos estão sendo tratados em casa, com a ajuda da família. A Polícia ainda não tem pistas do agressor.

“Sempre achei brega as pessoas que usam o facebook como diário. Porém, numa sociedade tão cretina como a nossa, é importante reafirmar que estupro existe e não é mimimi”, escreveu o jovem na postagem. “Acreditem: eu escrevo esse texto com muita dor, relutância, vergonha e absolutamente nenhum orgulho. Debati comigo mesmo várias vezes se isso realmente ia servir de alguma coisa e pode ser que eu me arrependa”.

Felizmente, os internautas que comentaram a postagem o encheram de solidariedade e esperanças para superar o trauma.

 Selina Coutinho via News 365

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