Seca prolongada: Varjota, Perímetro Araras Norte desliga bombas

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Seca prolongada: Varjota, Perímetro Araras Norte desliga bombas

Seca obriga o desligamento do perímetro Araras Norte em Varjota; a escolha é entre o abastecimento humano ou a irrigação.


Medida agrava crise dos irrigantes, causando prejuízos, especialmente, para os fruticultores.
Varjota – Por determinação da Companhia de Gestão de Recursos Hídricos (Cogerh) e do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), desde o início das chuvas, as bombas do Perímetro Irrigado de Araras Norte, localizado neste Município, foram desligadas, não sendo mais ofertada água para os irrigantes.
Os produtores já se mantinham com o consumo mínimo diário de 170 litros por segundo, o que representava duas horas e meia de abastecimento, insuficientes para a manutenção das atividades básicas, o que levou o Perímetro ao colapso. Já com essa decisão do consumo mínimo, muitos dos produtores encerraram suas atividades e se deslocaram para as regiões Sul e Sudeste do País, gerando um verdadeiro êxodo, segundo Odilon Brum, gerente Executivo do Perímetro.
“Em 2015, lutamos apenas para sobreviver. O Perímetro só não parou por conta do sacrifício do empreendedor, aguardando a chegada de um inverno contínuo, para que haja uma boa recarga do Açude e essa situação mude”, disse.
De acordo com o Portal Hidrológico do Ceará, o Açude Araras, responsável pela existência do Perímetro, opera hoje com apenas 6,26% de seu volume. Por isso, as bombas devem permanecer fechadas. Segundo Odilon Brum, “o que nos foi repassado, é que a expectativa agora gira em torno do acúmulo das chuvas até o mês de julho. Se esse percentual chegar a pelo menos 30%, a situação muda. Do contrário, o consórcio poderá fechar”, alertou o gerente.
Varjota compõe o Comitê da Bacia Hidrográfica do Acaraú, com 14 açudes públicos gerenciados pela Cogerh, abastecendo outros 27 municípios. Desde sua instalação, o Araras Norte trouxe impacto para a região em toda a sua economia, com forte representatividade na fruticultura, chegando a gerar em média R$ 8 milhões por ano.
Declínio
O perímetro, de responsabilidade do Dnocs, possui 37 quilômetros de canais, que abastecem cinco estações de distribuição de água, construídas para irrigar 1.030 hectares de área cultivável, que hoje, não passa de 10%, o que não tem gerado receita para os produtores.
Com o fechamento gradativo das comportas do Araras, finalizado em março do ano passado, a produção de frutas, que já vinha sendo reduzida, começou a decair por completo.
O produtor de bananas e mamão Manoel Camelo, um dos pioneiros no cultivo de frutas no Perímetro, fechou o ano de 2015 com grande prejuízo financeiro por conta das sucessivas estiagens que fizeram dos últimos anos os piores, no que diz respeito à ocorrência de chuvas. De acordo com o produtor, 95% do plantio foi perdido. O cultivo de bananas, distribuído em 10 hectares, foi diminuído para dois hectares, e o número de ajudantes também foi reduzido de 13 para dois, medidas necessárias para não abandonar por completo o lote, e manter, pelo menos as sementes, para garantir novo plantio em outros tempos.
Com a queda na produção de frutas locais, João Gomes Pereira teve toda a sua produção perdida. Ele é um dos últimos produtores a resistir com perseverança no local e um dos pioneiros na instalação do Distrito de Irrigação do Perímetro Araras Norte (Dipan), consórcio que gerencia o perímetro.
Beneficiamento
Hoje, o produtor compra frutas para beneficiar e vender na forma de polpa. As despesas, que antes chegavam a cerca de R$ 4 mil por semana, mas com boa rentabilidade, atualmente bate a casa dos R$ 6 mil e com baixa rentabilidade. “Hoje eu só comercializo polpas, não tenho mais plantio de frutas. Abacaxi, acerola, manga, goiaba, cupuaçu, tudo vem de fora in natura, para ser beneficiado e comercializado no mercado local”, disse.
O produtor fechou os lotes que possuía e demitiu as seis pessoas que o ajudavam no cultivo. A pequena fábrica produz 3 mil quilos de polpas variadas por semana. “Três pessoas me ajudam na fábrica e, apesar da produção, ainda tenho prejuízo. A interligação do Riacho dos Macacos ao Açude seria uma ótima saída para impedir que o Perímetro feche as portas”, afirmou.
O gerente, Odilon Brum, aponta uma saída alternativa, que seria, a curto prazo, a transposição do Riacho dos Macacos para o Araras, por meio de um canal. “E a médio e longo prazo, seria a construção da Barragem Poço Comprido, que resolveria essa questão”, afirma.
Segundo a Secretaria dos Recursos Hídricos (SRH), o projeto Açudes Estratégicos das Bacias dos Rios Coreaú e Acaraú, que propõe a construção de barragens, entre elas a de Poço Comprido, está em fase de captação.
Fonte: Diário do Nordeste

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